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A DAMA MORCEGA, de Giulia Moon

Em A Dama Morcega, o terror passeia por todos os níveis possíveis, desde o horror mais sutil, até o medo mais explícito e gore, sendo que mesmo estes são escritos com elegância ímpar. Como a autora costuma dizer: "O terror deve ser antes de tudo um exercício de inteligência e sutileza", conselho ao qual ela sempre se atém. Sua escritra é delicada e de muito bom gosto, e mesmo quando alguém está sendo eviscerado ou algo do gênero, nunca descamba para o trash ou "porn-torture" (não que eu tenha algo contra os citados gêneros, rs). Os diálogos são sempre fluídos, seus personagens nacionais não possuem "brasileirismos" na fala, expressando-se com naturalidade. Isso tudo, claro, sem deixar o suspense e o medo de lado, sentimentos que Giulia Moon alcança facilmente.

Um pouco sobre os contos:

Luna Errante, nos deparamos com uma visão original do mito dos lobisomens, de uma forma que é bem possível que você nunca tenha visto antes. Além de tudo, é uma história... de amor! Sim, licantropos e amor combinam, conforme você irá descobrir.Júnior e seu Gnuko mostra a amizade entre um garotinho e uma criatura mortal, que pode ou não existir (não, não tem nada a ver com o filme A Mulher Invisível, rs). Ah, e a palavra "gravatinha" vai ficar marcada em sua memória de uma maneira muito diferente do que a habitual. :)

Na história O Vampiro e A Donzela, acompanhamos o desenrolar da vampirização de uma jovem, que resolve não permanecer sozinha em sua vida imortal. E quando uma vampira deseja alguma coisa, ela consegue, de uma forma terrível demais para os mortais que estiverem por perto.Perdido! mostra a desesperadora busca de uma criança que se perdeu de sua excursão, num conto que certamente causará calafrios em qualquer um que, durante a infância, já tenha se perdido dos pais em um mercado, shopping ou lugares mais isolados (ou seja, quase todos nós).

Sobre O Paraíso - na minha opinião a melhor e mais emocionante história do livro - não quero falar nada. Qualquer informação iria estragar essa obra-prima, então simplesmente leia.O Ser Obscuro é um conto que vai despertar a identificação de todos os ratos de sebo que existem por aí, além de servir como um alerta: cuidado com o que você leva para casa, pois alguns livros não contém apenas histórias em suas páginas empoeiradas...

O Herói e o Diabrete, inspirado em uma história lida em uma H.Q. antiga (mais uma informação conseguida em primeira mão, meus caros, rsrs), um cavaleiro segue em sua missão, acompanhado de um monstrinho que dá vontade de levar pra casa (ou não). Mas o melhor de tudo é o dragão, afinal, quem é que não gosta de histórias de dragões?

Perigosa Ilusão resgata a deliciosa (em todos os sentidos, ahhhhh) vampira Maya e seu indefectível mordomo Stephen. O grande barato nas histórias desses personagens é a estranha e perigosa relação que os mantém unidos, sempre à beira de um fim trágico (ou não, dependendo da visão de cada um).

A Tia-Madrinha é um conto simples e curto, que na minha opinião poderia ir mais longe na crueldade. Falei isso para a escritora uma vez, que aceitou educadamente meu conselho furado, mas também me explicou que foi esse conto chamou a atenção do editor da Landy, que lhe propôs publicar por sua editora. Ou seja, é a história que abriu portas para a autora, além de ser a prova definitiva de que vocês não devem escutar tudo que eu falo, rsrsrs.

Em A Dama-Morcega, conto que dá título à obra, somos transportados para uma São Paulo do início do século XX, onde um asqueroso dono de circo mantém cativa a misteriosa (adiviiinha) Dama-Morcega! Uma mulher com a força de dez homens, velocidade de um tigre e a ferocidade de uma das minhas ex-namoradas! A autora provavelmente fez uma ampla pesquisa de época para chegar ao resultado final, porém a ambientação segue de maneira tão leve e agradável (como todo o livro, aliás), que quase chegamos a acreditar que tudo saiu de sua mente enquanto teclava em seu computador; é a segunda melhor história do livro (friamente falando, talvez seja a melhor história, embora eu goste mais de O Paraíso por questões pessoais), com personagens cativantes e situações ainda mais bem-desenvolvidas. É o maior conto do livro, mesmo assim ficamos com vontade de ler mais sobre aqueles personagens.

Por fim, o livro fecha com Pé-de-Moleque em Dezembro, onde um saci tem uma irreverente conversa com Jesus (!)... digo, não exatamente Jesus, mas enfim, o conto é uma crítica a valorização apenas daquilo que é estrangeiro, e como temos a tendência de estimar mais aquilo que veio do exterior (ou dos EUA, mais especificamente). Um erro grave, mas que podemos começar a corrigir lendo os autores nacionais, que, falando sério (sem demagogia, puxa-saquismo, nada), estão se saindo muito bem no gênero terror. Portanto, caso você ainda não tenha lido nada de um autor nacional, A Dama Morcega é um bom lugar para começar.
Giulia Moon é formada em Publicidade e Propaganda, e já foi diretora de arte, ilustradora, diretora de criação e sócia de agência de propaganda. Hoje em dia, além de trabalhar no setor de marketing de uma empresa educacional, também dá continuidade (ainda bem) à sua carreira como escritora de livros de terror, além de editar o Ficzine com a escritora Martha Argel e ser co-editora da Scarium Megazine.
Ela já tem três livros publicados, todos coletâneas de contos: Luar de Vampiros (Scortecci, 2003), Vampiros no Espelho e Outros Seres Obscuros (Landy, 2004) e A Dama Morcega (Landy, 2006).
Atualmente, está prestes a lançar o livro Kaori - Perfume de Vampira (seu primeiro romance) pela Giz Editorial. Também participou da antologia Amor Vampiro, da mesma editora. Em resumo, ela está longe de ser uma iniciante no mundo editorial, e seus livros sempre são de qualidade impecável (tanto no material quanto, e principalmente, no conteúdo).

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