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Baltimore e o Vampiro


Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, o capitão inglês Henry Baltimore vê seu pelotão ser dizimado pelas forças inimigas. Depois da batalha, uma criatura bizarra passa a se alimentar dos corpos e, quando nota Baltimore, se volta contra ele. O capitão revida, e na batalha, acaba sendo envenenado na perna que termina amputada. Mas a criatura também tem parte do rosto desfigurado. A partir de então, os dois iniciam uma perseguição por vingança que envolve a todos na Europa.
Baltimore e o Vampiro chama atenção inicialmente por ser um trabalho de Mike Mignola, o criador de Hellboy. Entretanto, Mignola é responsável pela arte que ilustra as páginas do livro; a narrativa fica por conta do competente Christopher Golden, ainda pouco conhecido no Brasil.
No livro, Golden cria uma trama que junta uma grande narrativa da história de vingança entre Baltimore e o vampiro que o atacou no campo de batalha com narrativas mais curtas, praticamente contos, que os amigos de Baltimore contam uns aos outros em um bar enquanto esperam para encontrá-lo.
Além disso, outro charme do livro é o paralelismo proposital com o conto “O valente soldadinho de chumbo”, de Hans Christian Andersen. Tal qual o soldadinho, Baltimore não tem uma perna e precisa enfrentar um sórdido inimigo. Destaque para as belas ilustrações do soldadinho, de autoria de Mignola que abrem os capítulos. Sob elas sempre há um trecho original do conto de Andersen.
Uma outra comparação que pode ser feita é entre este livro e o clássico da literatura brasileira Noite na Taverna, de Alvares de Azevedo. Isso porque após a narrativa do encontro original entre Baltimore e o Rei Vermelho, o foco do livro vai para o encontro de três amigos do capitão em uma taverna. Por meio deles a história de Baltimore é contada.
Cada um deles o conheceu em diferentes momentos de sua vida e ouviram histórias medonhas de seus feitos. E todos eles só acreditaram nelas porque presenciaram coisas ainda mais bizarras. E essas coisas que presenciaram são contadas uns aos outros como contos. Exatamente como no livro de Azevedo. Entretanto, apenas a forma e conceito aproximam os dois livros. Enquanto no brasileiro as histórias contadas na taverna envolvem incesto, traição, necrofilia e outras coisas mais grotescas, o norte-americano fica apenas na seara do terror sobrenatural.
O trabalho de Golden é bastante versátil. Quando conta a história de Baltimore, a narrativa é em terceira pessoa; quando a palavra passa aos amigos de Baltimore que o esperam na Taverna, passa a ser primeira pessoa, mas sem perder o ritmo. Outra variação lingüística acontece quando estão em cena apenas Baltimore e o Rei Vermelho, quando o tempo dos verbos passa a ser o presente. E isso tudo sem ser cansativo. Méritos para o tradutor e para os preparadores de texto da edição brasileira.
A editora brasileira, por sinal, é a Manole, com o selo Amarylis. Trata-se de uma editora que no passado já publicou HQs e hoje está fora do cenário. Talvez se o resultado desse trabalho de Mignola surta um bom efeito, fique uma ponta de esperança de que futuramente a casa publicadora volte aos quadrinhos. 
Fonte: Homem nerd

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